sexta-feira, 20 de maio de 2011

EXTRA!!! EXTRA...!!! Essa precisa ser divulgada rapidamente,

Ao chegar hoje a tarde (20/05/2011) na escola fiquei sabendo por uma colega e depois tive a confirmação por fala da diretora, indicada e por "quase 30 anos no cargo e na mesma escola" pasmem! que a Secretaria de Educação, por ordem do secretário, orientou a Diretoria de Educação de Aracaju - DEA - a telefonar às escolas e determinar que todos os professores "devem aderir" à greve que terá inicio no dia 23 próximo. A própria diretora levou um "susto" pois por tantos anos mandando e desmandnado na escola jamais viveu tal experiência, pelo contrário, em tempos outros, a telefonavam para orientar como fazer intimidações e ameaças aos professores grevistas: corte de ponto, remoção e etc... Parece estranho esse apoio do Secretário à nossa greve. O que terá por escondido nessa posição? Disputa elitoral de 2012? Prefeitura de Aracaju em jogo? Todos sabem que o senhor secretário é do clã político do Senador ACM!!!, ou, perdão!!! este já se foi e era da Bahia...do senador Valadares!!! Cuidado, Marcelo Déda. As aves de rapina começam a por as garras de fora e estão plainando sobre o seu telhado. O pior é que ele está repleto de telhas de vidro!!! Avisei, companheira partidária e eleitora...(quase ex, nas duas situações) é para essas coisas, também, viu!!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

23 DE MAIO DE 2011 - GREVE DE PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE SERGIPE.

O GOVERNADOR MARCELO DÉDA - No passado quando parlamentar estadual defendeu o direito do Magistério Público ter um Piso Salarial definido na carreira, hoje enquanto Chefe do Executivo no Estado de Sergipe, diz que não há dinheiro para pagar o nosso Piso, que é Lei Federal sansionada pelo então presidente Lula, amigo pessoal, compadre e do mesmo partido político do governador - PT. O Piso Salarial Nacional é uma consquista histórica do Magistério Público do Brasil, muitos profissionais que lutaram por ele, não o viram chegar concretamente, e, agora que o conquistamos não o querem respeitar. Com o que devo sonhar?
Cadê a valorização do Magistério, Governador? Cadê a sua política de Educação? As escolas estão abandonadas, feias, sujas, deterioradas...As famílias estão sacrificando várias necessidades domésticas para pagarem mensalidades de escola privada, diante da situação caótica em que está a pública: banheiros imundos, falta de equipamentos didáticos e tecnológicos... Como explicar a queda vertiginosa na matrícula na Rede Estadual? O que o seu Secretário de Educação tem a dizer sobre isso? O seu governo está destruindo o que resta da educação pública e está contribuindo determinantemente para que vários profissionais sérios e comprometidos com o seu fazer, adoeçam. Esse é um tempo de danação. A história, senhora absoluta do tempo, registrará a sua desastrosa passagem na educação de Sergipe. As gerações que virão hão de enxergar o que poderia ter sido feito agora, hoje, para elevar a educação do povo sergipano, e por sua omissão e desprezo, não o fez.

domingo, 10 de abril de 2011

"O sofrimento emocional execessivo na tenra infância obriga o sujeito a lançar mão de mecanismos, que podem torná-lo definitivamente incapaz de submeter-se à lei simbólica (e, portanto, ao código penal), seja na linha da psicose e/ou da perversão.
Em tais casos é pouco provável que medidas educativas alcancem modificar uam estrutura psíquica já cristalizada. A única saída é a prevenção. A sociedade deveria oferecer condições para que o sujeito psíquico em formação se estruture de maneira a conseguir submeter-se a essa Lei...bem como para que encontre no laço social espaço e condições de desenvolver suas potencialidades"

Fonte: Conhecimento Prático - Filosofia (REVISTA) - Número 28. Páginas 53-54
Internet - www.conhecimentopratico.com.br/filosofia

sexta-feira, 25 de março de 2011

Escola Municipal Professora Áurea Melo Zamor

Aracaju – SE, 18 de fevereiro de 2011.


Hoje, sexta-feira manhã de chuva, encontramos uma situação na escola que nos deixou muito tristes. Alguém destruiu os nossos dois pés de batatas doce. Eles foram plantados no ano passado (2010) pela turma F. Sara, aluna da turma trouxe duas batatas doces brotando folhinhas, ou seja, querendo virar pés de batatas. Nós escolhemos um lugar ao pé do muro, próximo ao pátio da escola e plantamos as duas batatas. Dias depois nasceram dois pés de batatas, se encheram de folhas verdes e ficaram esparramadas pela terra. Todos as manhãs fazíamos a rega e conversávamos com os pés de batatas.
Ao retornar as aulas esse ano (2011) vimos que ao fazerem a capinagem na escola, cortaram os pés de batatas. Todavia, foi observado que as raízes estavam presas a terra por um pedacinho de caule que restou. E, aí, para nossa surpresa e grande alegria, dois após, folhas verdinhas brotaram naquele pedacinho de caule. Os pés de batatas renasciam. Nossa tristeza aconteceu quando um homem veio plantar macaxeira na escola, sem a nossa presença e participação e destruiu os pés de batatas, cobrindo-os com muita terra e plantando sobre eles, pés de macaxeira.
Essa carta é o nosso PROTESTO e será entregue a Coordenação da Escola. Todos devem cuidar das experiências que fazemos na escola. Isso não deverá acontecer de novo. A escola é de todos nós!

Esse texto foi construído coletivamente pela professora e todas as crianças que formam a turma F e por suas autoras e autores seguirá assinado.

Assinaturas:

Todas as crianças assinaram o documento impresso e cada uma levou uma cópia para ser lida em casa pelos familiares.
Uma pá de cal nas histórias
* Rosiane Chagas


Pertencessem ainda ao mundo dos vivos, Monteiro Lobato, Sylvia Orthof, José Paulo Paes, Cecília Meireles, dentre outros escritores, ficariam estarrecidos com a atitude tomada pela Secretaria de Educação de Aracaju, que passo a relatar.
Como idealizador da Sala de Leitura da E.M.E. I Profa. Áurea Melo Zamor, situada no Conjunto Orlando Dantas, o saudoso professor Enaldo Santos Silva, profissional extremamente comprometido com a causa da educação pública, e com marcas positivas na passagem pelo Sistema Municipal de Educação de Aracaju, criou e me motivou a enveredar pelos caminhos da leitura com crianças na educação infantil, nos anos de 1995-1996. Criamos projetos que foram acontecendo no decorrer dos anos e com todas as dificuldades impostas pelas precárias condições de trabalho sobreviveram na sua concepção e resistem a atual conjuntura de abandono na qual está mergulhada a educação pública de Aracaju, em especial a educação infantil. A essência pedagógica se traduz na prática sistemática da leitura que garante o acesso de todas as crianças aos clássicos da literatura infantil e a toda literatura de boa qualidade, um caminho para a instituição escolar contribuir decisivamente na formação de uma geração de leitores, de seres humanos críticos, participativos, responsáveis e cada vez mais humanizados. Ressalta-se que as crianças são todas oriundas de famílias de baixa renda e conseqüentemente baixo índice de escolaridade. Isto significa que é na escola que elas têm acesso a livros e a literatura. Muitas vezes é somente na escola que cada uma vive essa experiência de formação. A sustentação teórica do trabalho vem de atividades referentes à temática: Congresso de Leitura do Brasil – COLE; LEIA Brasil – programa de leitura subsidiado pela PETROBRAS – integrando os encontros desde do ano 1997, além de ser ex-integrante o PROLER-SE, programa de leitura do Ministério da Cultura.
Após anos de realização dessa atividade, cujo resultado se observa no comportamento das crianças, que passam a expressar interesse real por livros e leitura, e mudança de postura de mães que buscam na escola o empréstimo de livros para ler em casa para os filhos, recebe-se hoje, por parte da SEMED, não apoio ao trabalho que vem sendo feito, mas uma pá de cal nas histórias. O acanhado espaço físico, que foi se construindo na concepção e na prática, se arrumando para ficar lúdico para as crianças e se constituindo, dentro da escola, como Sala de Leitura, será extinto, segundo falas de “burocratas” da Secretaria. Chegaram à escola, olharam e falaram: “derrubamos essa parede, e aí teremos outra sala”. Ao se perguntar sobre o trabalho que acontece naquele espaço, teve-se como resposta: “passa a ser itinerante”. Não se quis saber da especificidade metodológica, o que pensam as crianças - público mais interessado na Sala de Leitura - nem o que pensam docentes que trabalham na escola sobre o assunto em questão. Decidi a forma de uma atividade acontecer não cabe a técnicas da Secretaria, mas de quem faz o trabalho na escola. De onde vem tanto autoritarismo? De onde vem tanto desrespeito ao trabalho de quem está na escola? Cadê a gestão democrática? Há um Conselho Deliberativo eleito e legalmente instituído, cujo papel é discutir, deliberar e encaminhar decisões de interesse da escola, observando a legislação vigente. A gestão democrática não se faz no texto frio da lei, mas nas ações cotidianas, deve ser construída e reconstruída no chão da escola, no enfrentamento dos conflitos, das divergências, mas também no prazer das conquistas no processo ensino-aprendizagem, nas alegrias de atividades culturais ricas e participativas, como aconteceu no último dia 29/10 - Festa em homenagem ao dia nacional do Saci Pererê.
Há espaço físico na escola para a construção. Extinguir o espaço da Sala de Leitura é inaceitável. A escola e as crianças não podem prescindir desse espaço educativo. Espera-se que a SEMED faça o exercício do diálogo com a comunidade escolar na busca de outra solução para instalação de novas salas.

* É pedagoga e responsável pelo trabalho realizado na Sala de Leitura, na Escola Municipal de Educação Infantil Profa. Áurea Melo Zamor.

Aracaju-SE, primavera do ano 2010.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

E agora?
* Sandra Beiju

“A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu (...) E agora?” Senhor Prefeito de Aracaju, por favor, responda-me: qual é a vossa Política de Educação? Ou melhor, Vossa Excelência conhece a Política de Educação vigente no município que administra? O que há referente à formação continuada de professores? Esse item está “prescrito” em todo texto legal no campo da educação, e nos discursos de gestores públicos em período eleitoral. Vossa Excelência poderia apontar a política concreta nessa área, durante o tempo que ocupa a cadeira de prefeito? Quanto a prefeitura de Aracaju tem investido em educação? E na educação infantil, qual o investimento nos últimos 05 anos? Por que a capital, com Sistema de Ensino formado por profissionais titulados e comprometidos, não consegue ser uma referência para Sergipe? Por que possui um Índice de desenvolvimento da Educação – IDEB, tão baixo? Antes de Vossa excelência emitir publicamente opinião sobre essa questão, pare e veja o que vem acontecendo na educação pública de Aracaju. Não insista no “velho discurso” de atribuir a responsabilidade pelo fracasso, unicamente a escola e aos seus profissionais. A vossa secretária de educação anunciou logo que tomou assento na cadeira, a implantação do Ensino Integral. Cadê esse projeto? Até hoje nem um tímido ensaio foi posto em prática. E essa é uma política urgente e necessária, devendo ser iniciada na educação infantil. Não há como se melhorar IDEB em qualquer sistema de ensino, sem elevar a educação das crianças ao patamar de respeito, atenção e qualidade pedagógica que ela requer. As pesquisas mais avançadas dão conta do quanto é importante o processo de desenvolvimento emocional e intelectual infância. Há uma dívida histórica do poder público para com a educação de crianças pequenas. Ela sempre foi relegada a último plano, “não há dinheiro” para investir em material didático, em formação continuada de profissionais, em construção de prédios escolares bonitos, lúdicos, confortáveis, funcionais e atrativos. A prefeitura de Aracaju “inovou” no ano 2008, efetuou a compra, sem qualquer “cerimônia” de um pacote didático a Editora Positivo, ou seja, terceirizou o pedagógico, ao invés de reconhecer, potencializar e valorizar o que vem sendo produzido nas escolas, preferiu comprar “pronto” algumas apostilas impressas e encadernadas em espiral, com a capa e contracapa ilustrada com belas fotografias da nossa cidade, é só o que tem da nossa terra. Vossa Excelência poderia informar o valor pago por esse pacote? Qual o impacto na aprendizagem das nossas crianças? Parece que o único mérito é ser material impresso para manuseio das crianças. Esse contato e experiência contribuem para que se apropriem da compreensão do que seja a escrita e aprendam a diferenciar escrita e oralidade, sobretudo crianças pobres, que vivem infâncias difíceis, sacrificadas e sem acessarem livros no seu grupo familiar.
A educação está abandonada, especialmente a destinada à infância. É um paradoxo falar “capital da qualidade de vida”. “Qualidade de vida” para quem? Que sociedade pode ter “qualidade de vida” se não garante cuidados, atenção e educação de qualidade as suas crianças? Prefeito, ouse! institua a escola integral, a infância de Aracaju precisa dela. Busque recursos junto aos “primos ricos”. Ao invés de escola infantil e escola fundamental “apartadas”, criem-se Centros de Educação para a Infância, nos quais as crianças ingressarão na educação infantil e permanecerão até fechar o ciclo inicial do fundamental. Invista na formação continuada de professor, em especialidades essenciais para ensino/educação de crianças. Isso poderá melhorar o nosso IDEB. Comprar pacotes didáticos é “jogar” o dinheiro do povo nos bolsos de comerciantes de educação. Educação não é mercadoria, é um bem cultural e social.

* Professora do Sistema de Ensino de Aracaju, e da Rede Estadual.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CARTA DE UMA PROFESSORA AOS GESTORES PÚBLICOS DO
MUNICÍPIO DE ARACAJU

Aracaju - SE, 08 de fevereiro do ano 2010.

“Marco Pólo descreve uma ponte, pedra por pedra.
- Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? – Pergunta Kublai Khan. - A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra – responde Marco, mas pela curva do arco que elas formam.
Kublai Khan permanece em silêncio refletindo e depois acrescenta: Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.
Pólo responde: Sem pedras, o arco não existe”
(Ítalo Calvino)


DESTINATÁRIOS: Chefe do Executivo Municipal – Prefeito Edvaldo Nogueira; Secretária de Educação – Professora Mestra Teresa Cristina C. da Graça; Diretor de Recurso Humano da SEMED – Professor Adelmo Menezes; Direção Executiva do SINDIPEMA – Presidenta Professora Maria Elba Silva; Conselho Municipal de Educação; Conselho Escolar; Parlamentares; Ministério Público – Curadoria da Educação e Imprensa escrita no Estado de Sergipe.

Sou docente concursada, em exercício na Escola Municipal de Educação Infantil Profa. Áurea Melo Zamor, do Sistema de Ensino de Aracaju e venho expressar alguns sentimentos que têm afetado consideravelmente o meu exercício profissional. Este texto é escrito na primeira pessoa, porém estou certa de que manifesta angústias que se acumulam dia após dia, frustrações e grandes decepções na carreira profissional, por parte da imensa maioria do Magistério Público.

Na tentava de provocar uma reflexão começo esse texto/documento afirmando que: O “Direito de Aprender” deve ter como requisito primeiro, o “Direito de Ensinar”. Quando este não é tratado com o respectivo cuidado e respeito, conseqüentemente compromete o “Direito de Aprender”. É o meu ponto de vista.
A quem cabe garantir o “Direito de Aprender”? A quem cabe garantir o “Direito de Ensinar”? Que relação guarda esses direitos? Que elementos os aproxima ou os afasta?

Em função da instituição do Ensino Fundamental de 09 anos, a escolaridade obrigatória passou a ser a partir dos 06 anos de idade. Essa nova conjuntura educacional gerou também uma nova situação para escola de educação infantil, visto que esta desde o advento da LDB vigente, atende crianças na faixa etária dos 04 aos 06 anos. Até o ano letivo 2009 havia quatro turmas de crianças de 06 anos na Escola Áurea Zamor. Durante todo o segundo semestre/2009 a Coordenação da Escola supracitada fez consultas formal e verbal a Secretaria de Educação sobre como efetuar a matrícula para o ano 2010. Isto é, se deveria ou não efetuar matrícula de crianças de 06 anos de idade. Essa sempre foi uma questão do meu interesse, enquanto professora da escola. Nesse sentido busquei até o encerramento do ano letivo (janeiro/2010), informação a respeito do assunto. Destaco também que a maioria das mães cujas crianças foram atendidas pela escola no ano 2009, buscou por diversas vezes esta informação junto a Coordenação, que até o encerramento do ano letivo não teve resposta efetiva para as interessadas. O resultado dessa “confusão” já apareceu na escola agora no inicío do ano letivo 2010: A escola, mesmo gozando de bom conceito entre as mães, perdeu na matrícula em todas as faixas-etárias e deixou de matricular duas turmas de crianças de 06 anos, pois, a resposta da SEMED somente chegou após as mães deixarem de freqüentar a escola diariamente, quando iam buscar as suas crianças no final do expediente escolar de cada turno (manhã e tarde).
Diante do exposto, encontro-me como professora, na seguinte situação: Impedida de exercer a minha atividade profissional, prejudicada no meu Direito de Ensinar, pelo menos na escola que já sou lotada e na qual quero continuar trabalhando. A seguir, explicarei. Fui chamada pela Coordenação da Escola a participar de uma reunião no último dia 04, inclusive com a presença de três profissionais que compõem a equipe pedagógica da SEMED, a convite da Coordenação da escola. Foi uma conversa cordial, na qual se falou da proposta da Secretaria para implantação no Sistema Municipal, do Projeto Ciclos de Alfabetização. Foi falado ainda que a EMEI Áurea Zamor foi “eleita” para fazer parte da “experiência piloto” no ano em curso. Observo que nenhum profissional da escola foi chamado pela SEMED a participar da construção do referido projeto, apenas se fez a comunicação verbal (que a EMEI Áurea Zamor integrará o Projeto Piloto em 2010). Convém perguntar: Que concepção de “Gestão Democrática” baliza as Ações e a Política Educacional do Município de Aracaju? A que serve o Conselho deliberativo da escola?
Após a saída dos representantes da SEMED, deu-se continuidade aos trabalhos. A Coordenadora Pedagógica passou a informar a turma de cada professora, e alguns casos de afastamento por licença médica, visto que o ano letivo 2010 teria início no dia 08 de fevereiro, o que de fato ocorreu. Foi exatamente naquele momento da mencionada reunião que fui comunicada verbalmente que “não tem turma para a professora Sandra, pois NÃO houve matrícula” Desde que cheguei à escola, sou professora na turma de 06 anos no turno matutino. Fiquei assustada com a “naturalidade aparente” com que a questão foi abordada na escola. Porque não fui comunicada com antecedência, ainda na vigência do período de transferência estabelecido pelo Recurso Humano/SEMED? O que significa dizer “Não houve matrícula”? Para onde foram todas as crianças de 06 anos de idade que residem em várias comunidades situadas no entorno do bairro da escola? É sabido que a região (Conjunto Orlando Dantas) na qual a EMEI Áurea Zamor está localizada, tem sido “cercada” por moradias de classe média, que não matricula os filhos na escola pública. Todavia, há também no seu entorno muitas áreas de ocupação nas quais as comunidades possuem significativo número de crianças na faixa-etária dos 04 aos 06 anos. Para quais escolas essas crianças foram? Será que estão na escola? E o Direito de Aprender? Quais as ações concretas da SEMED para reverter esse quadro? Recuso-me a aceitar que questão tão séria caia em “vala comum” e seja “naturalizada”!
Não parece extremamente contraditório que se veja na mídia (escrita, televisiva, falada) tanto esforço da sociedade civil, tantas campanhas e “chamadas” dos governantes (e muito dinheiro público investido): “Todos pela Educação”; “Direito de Aprender” e etc. em favor da educação escolar, e que se localizem escolas públicas com salas de aula vazias? Inclusive de educação infantil (o caso da EMEI aqui apontada). Caso alguém queira confrontar a estatística atual do analfabetismo no Estado de Sergipe, encontrará mais fundamentos para enxergar o volume dessa contradição. O que está acontecendo em Sergipe? O que está acontecendo na capital, Aracaju? As famílias não querem educação escolar para os seus filhos?
A sensação que me invade nessa conjuntura é que a educação continua sendo tratada enquanto uma “abstração” e não enquanto direito social imprescindível a todos e um bem cultural sagrado, de elevado nível de complexidade.
Ressalto outro aspecto nesse longo, porém, necessário relato: Quem é docente costuma, ao encerrar um ano de atividade laboral, planejar, reorganizar a vida pessoal para o ano seguinte, especialmente quem é mulher, quem é mãe de criança pequena, visando conciliar a jornada profissional com “as jornadas da vida pessoal”. Isso é importante para se estar bem fisicamente e emocionalmente na retomada do trabalho, pois se lida com pessoas, e no meu caso, com crianças em formação de personalidade (matutino) e adultos (noturno). A atividade docente é comprovadamente muito desgastante, visto que não se limita à interação pedagógica professor-aluno na sala de aula, mas tem desdobramentos diversos que acompanham o profissional da escola para casa e vice-versa. Estou certa de que isto que agora destaco não é novidade. Todos são conhecedores dos “ossos do ofício” docente, aponto esses elementos com a intenção de chamar a atenção dos Gestores Públicos lembrando que toda diretriz que interfere diretamente no cotidiano da escola e na vida do profissional da educação precisa ser apresentada com responsabilidade, compromisso e principalmente participação efetiva de todas as partes interessadas. Isto é para mim, a tradução, a “encarnação” do legítimo e árduo exercício democrático e do respeito ao profissional e a toda comunidade escolar.

Organizei a minha vida pessoal para trabalhar no ano 2010 na EMEI Áurea Melo Zamor, no turno matutino. Ao retornar a escola sou impedida de exercer o meu trabalho, pois não existem alunos, existe somente a sala de aula vazia (nos dois turnos – manhã e tarde) Como os senhores pensam que estou me sentindo? Cadê a tão cantada “valorização profissional do magistério”? Solicito que cada um dos senhores de dispa da força/poder dos cargos que ora ocupam e ponham-se no meu lugar de professora. Permitam-me deixar a “modesta” de lado e apresentar-me: sou também professora concursada na Rede Oficial de Ensino de Sergipe há quase 22 anos, sou servidora pública e sempre tive a consciência de que devo estar a serviço da sociedade, fazendo o meu trabalho com responsabilidade e compromisso, aonde for necessário. Fui até o Timor Leste, país asiático arrasado por uma ocupação militar sangrenta que durou quase duas décadas e meia, levar a minha contribuição à reconstrução do Sistema Educacional daquele país, como professora formadora de professores, integrando por seleção pública realizada pela CAPES/MEC, a primeira Missão de Cooperação Técnica Internacional do Governo Brasileiro na área da Educação. Nunca escolhi escola para trabalhar. Trabalho em escola central, em escola de periferia, em qualquer bairro da cidade. Já trabalhei vários anos em escola situada na periferia de Aracaju, e gostei, criei identidade com as famílias dos meus alunos. Autorizo qualquer interessado a buscar informações sobre o meu desempenho profissional em escolas que já trabalhei (no interior e na capital) e nas quais trabalho hoje.
Sou filha de um trabalhador nordestino que não teve o direito de sentar em um banco escolar, e de uma trabalhadora que esteve na escola somente por 02 anos, e que sonhava formar-se professora, mas sendo filha de trabalhador rural, que plantava roça de subsistência em terras alheias emprestadas (dos latifundiários), a minha mãe jamais realizaria o seu sonho. Tornar-me professora concursada da Rede Estadual, aos 19 anos foi uma conquista de significação imensurável, não apenas para mim, mas especialmente para minha mãe. Fui à primeira da minha família a conquistar um diploma de escolaridade superior, e na Universidade Pública. Sou cumpridora dos meus deveres profissionais, mas sou também inquieta e “desobediente”. Autoritarismo na relação de trabalho é algo que me afeta profundamente e algo que tenho muita dificuldade em “aceitar” conformadamente. Tenho a preocupação de não deixar esse texto “piegas”, mas diante da mecanização/deterioração, diante da indiferença, e às vezes até de certa agressividade (na forma de documentos que chegam à escola) estabelecida nas relações de trabalho, entre Gestores Públicos e Profissionais da Educação, senti necessidade de abordar sonhos e sentimentos, elementos próprios da natureza humana e que, portanto precisam ser lembrados e considerados na hora da tomada de decisões pelo “poder central” e no encaminhamento dessas para a escola. Esse tipo de relação nada tem acrescentado ao trabalho realizado na escola, muito pelo contrário, vem prejudicando o bom andamento do mesmo, criando um clima de animosidade e descrédito que distancia ainda mais, os gestores de quem está na ponta do Sistema, comprometendo os resultados que se espera alcançar.
A minha concepção de mundo me diz que para além de toda “modernidade” tecnológica colocada à disposição das pessoas, de toda parafernália de equipamentos, que em certo contexto mais afasta do que aproxima seres humanos, pois artificializa o contato e as relações sociais – que o ser humano busca e necessita da conversa com o outro, precisa falar do que sente, precisa ouvir o que é importante, precisa olhar no olho do outro e enfrentar conflitos a partir do diálogo respeitoso, corajoso e ético. É necessário fazer a crítica, mas é também necessário e importante reconhecer as experiências do outro, reconhecer e valorizar o trabalho profissional. Na condição de professora sinto a necessidade de ser a autora do meu fazer pedagógico, de construir e reconstruir a minha prática e de ter a qualidade do meu trabalho avaliada com respeito e seriedade. Acredito que assim contribuo para alargar e fortalecer relações humanizadas e conseqüentemente ajudar a fazer o mundo um pouco melhor para todos nós. Essa é a crença que fundamenta a minha prática pedagógica na escola, a minha relação com as colegas, com os meus alunos e no dia a dia da minha vida.
Solicito apoio concreto da SEMED para “resgatar” as crianças, cujas mães foram impedidas de efetuar matrícula na EMEI Áurea Zamor pela demora com que a diretriz (abrir matrícula para 06 anos) chegou à escola. Sei que são muitas atividades para o setor responsável, a Rede é complexa, mas a falta do encaminhamento em tempo hábil por parte da SEMED causou prejuízos a mim, na condição de professora, as crianças que não puderam continuar na escola na qual já estudavam, e também ao próprio Sistema Municipal de Ensino, que “perdeu” alunos na sua matrícula/2010. Não posso ser “penalizada” por esse fato, sendo obrigada a buscar outra escola para exercer o meu direito de trabalhar e após o encerramento do período regulamentado pela própria Secretaria de Educação para a transferência dentro da Rede Municipal.
Não há justificativa para o “atraso” visto que a SEMED conta com uma equipe de assessores com excelente nível de formação acadêmica e vasta experiência profissional no campo da educação, inclusive na Rede Municipal de Aracaju.

Apelo aos senhores que garantam o meu “Direito de Ensinar” na EMEI Áurea Melo Zamor, ajudando a recuperar a matrícula que foi “perdida”, colocando as crianças de volta na sala de aula, que por ora, encontra-se vazia.
Enquanto salas de aula estão vazias, as crianças podem estar por aí, em casa de vizinhos para que as mães possam trabalhar, nos semáforos, na porta de mercadinho do bairro, ou seja, expostas a todo tipo de risco físico, moral e emocional, quando deveriam estar na sala de aula, desenvolvendo o seu potencial intelectual, aprendendo a formar bons valores, aprendendo regras sociais, tendo convivência coletiva escolar, através de diversas atividades e exercícios lúdicos de aprendizagem, para se formarem sujeitos emancipados.

Quero somente continuar exercendo a minha atividade docente na mesma escola. Para tanto, preciso dos meus alunos de volta. É mister contar com o apoio dos senhores para concretizar tal tarefa. Fosse minha vontade sair da EMEI Áurea Zamor, teria encaminhado requerimento a SEMED no período regularmente estabelecido para transferência dentro da Rede, que já foi expirado em janeiro passado.

Esperando contar com a compreensão e apoio efetivo dos senhores, despeço-me, apresentado votos de respeito e sempre a disposição para o que se faça necessário.