CARTA DE UMA PROFESSORA AOS GESTORES PÚBLICOS DO
MUNICÍPIO DE ARACAJU
Aracaju - SE, 08 de fevereiro do ano 2010.
“Marco Pólo descreve uma ponte, pedra por pedra.
- Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? – Pergunta Kublai Khan. - A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra – responde Marco, mas pela curva do arco que elas formam.
Kublai Khan permanece em silêncio refletindo e depois acrescenta: Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.
Pólo responde: Sem pedras, o arco não existe”
(Ítalo Calvino)
DESTINATÁRIOS: Chefe do Executivo Municipal – Prefeito Edvaldo Nogueira; Secretária de Educação – Professora Mestra Teresa Cristina C. da Graça; Diretor de Recurso Humano da SEMED – Professor Adelmo Menezes; Direção Executiva do SINDIPEMA – Presidenta Professora Maria Elba Silva; Conselho Municipal de Educação; Conselho Escolar; Parlamentares; Ministério Público – Curadoria da Educação e Imprensa escrita no Estado de Sergipe.
Sou docente concursada, em exercício na Escola Municipal de Educação Infantil Profa. Áurea Melo Zamor, do Sistema de Ensino de Aracaju e venho expressar alguns sentimentos que têm afetado consideravelmente o meu exercício profissional. Este texto é escrito na primeira pessoa, porém estou certa de que manifesta angústias que se acumulam dia após dia, frustrações e grandes decepções na carreira profissional, por parte da imensa maioria do Magistério Público.
Na tentava de provocar uma reflexão começo esse texto/documento afirmando que: O “Direito de Aprender” deve ter como requisito primeiro, o “Direito de Ensinar”. Quando este não é tratado com o respectivo cuidado e respeito, conseqüentemente compromete o “Direito de Aprender”. É o meu ponto de vista.
A quem cabe garantir o “Direito de Aprender”? A quem cabe garantir o “Direito de Ensinar”? Que relação guarda esses direitos? Que elementos os aproxima ou os afasta?
Em função da instituição do Ensino Fundamental de 09 anos, a escolaridade obrigatória passou a ser a partir dos 06 anos de idade. Essa nova conjuntura educacional gerou também uma nova situação para escola de educação infantil, visto que esta desde o advento da LDB vigente, atende crianças na faixa etária dos 04 aos 06 anos. Até o ano letivo 2009 havia quatro turmas de crianças de 06 anos na Escola Áurea Zamor. Durante todo o segundo semestre/2009 a Coordenação da Escola supracitada fez consultas formal e verbal a Secretaria de Educação sobre como efetuar a matrícula para o ano 2010. Isto é, se deveria ou não efetuar matrícula de crianças de 06 anos de idade. Essa sempre foi uma questão do meu interesse, enquanto professora da escola. Nesse sentido busquei até o encerramento do ano letivo (janeiro/2010), informação a respeito do assunto. Destaco também que a maioria das mães cujas crianças foram atendidas pela escola no ano 2009, buscou por diversas vezes esta informação junto a Coordenação, que até o encerramento do ano letivo não teve resposta efetiva para as interessadas. O resultado dessa “confusão” já apareceu na escola agora no inicío do ano letivo 2010: A escola, mesmo gozando de bom conceito entre as mães, perdeu na matrícula em todas as faixas-etárias e deixou de matricular duas turmas de crianças de 06 anos, pois, a resposta da SEMED somente chegou após as mães deixarem de freqüentar a escola diariamente, quando iam buscar as suas crianças no final do expediente escolar de cada turno (manhã e tarde).
Diante do exposto, encontro-me como professora, na seguinte situação: Impedida de exercer a minha atividade profissional, prejudicada no meu Direito de Ensinar, pelo menos na escola que já sou lotada e na qual quero continuar trabalhando. A seguir, explicarei. Fui chamada pela Coordenação da Escola a participar de uma reunião no último dia 04, inclusive com a presença de três profissionais que compõem a equipe pedagógica da SEMED, a convite da Coordenação da escola. Foi uma conversa cordial, na qual se falou da proposta da Secretaria para implantação no Sistema Municipal, do Projeto Ciclos de Alfabetização. Foi falado ainda que a EMEI Áurea Zamor foi “eleita” para fazer parte da “experiência piloto” no ano em curso. Observo que nenhum profissional da escola foi chamado pela SEMED a participar da construção do referido projeto, apenas se fez a comunicação verbal (que a EMEI Áurea Zamor integrará o Projeto Piloto em 2010). Convém perguntar: Que concepção de “Gestão Democrática” baliza as Ações e a Política Educacional do Município de Aracaju? A que serve o Conselho deliberativo da escola?
Após a saída dos representantes da SEMED, deu-se continuidade aos trabalhos. A Coordenadora Pedagógica passou a informar a turma de cada professora, e alguns casos de afastamento por licença médica, visto que o ano letivo 2010 teria início no dia 08 de fevereiro, o que de fato ocorreu. Foi exatamente naquele momento da mencionada reunião que fui comunicada verbalmente que “não tem turma para a professora Sandra, pois NÃO houve matrícula” Desde que cheguei à escola, sou professora na turma de 06 anos no turno matutino. Fiquei assustada com a “naturalidade aparente” com que a questão foi abordada na escola. Porque não fui comunicada com antecedência, ainda na vigência do período de transferência estabelecido pelo Recurso Humano/SEMED? O que significa dizer “Não houve matrícula”? Para onde foram todas as crianças de 06 anos de idade que residem em várias comunidades situadas no entorno do bairro da escola? É sabido que a região (Conjunto Orlando Dantas) na qual a EMEI Áurea Zamor está localizada, tem sido “cercada” por moradias de classe média, que não matricula os filhos na escola pública. Todavia, há também no seu entorno muitas áreas de ocupação nas quais as comunidades possuem significativo número de crianças na faixa-etária dos 04 aos 06 anos. Para quais escolas essas crianças foram? Será que estão na escola? E o Direito de Aprender? Quais as ações concretas da SEMED para reverter esse quadro? Recuso-me a aceitar que questão tão séria caia em “vala comum” e seja “naturalizada”!
Não parece extremamente contraditório que se veja na mídia (escrita, televisiva, falada) tanto esforço da sociedade civil, tantas campanhas e “chamadas” dos governantes (e muito dinheiro público investido): “Todos pela Educação”; “Direito de Aprender” e etc. em favor da educação escolar, e que se localizem escolas públicas com salas de aula vazias? Inclusive de educação infantil (o caso da EMEI aqui apontada). Caso alguém queira confrontar a estatística atual do analfabetismo no Estado de Sergipe, encontrará mais fundamentos para enxergar o volume dessa contradição. O que está acontecendo em Sergipe? O que está acontecendo na capital, Aracaju? As famílias não querem educação escolar para os seus filhos?
A sensação que me invade nessa conjuntura é que a educação continua sendo tratada enquanto uma “abstração” e não enquanto direito social imprescindível a todos e um bem cultural sagrado, de elevado nível de complexidade.
Ressalto outro aspecto nesse longo, porém, necessário relato: Quem é docente costuma, ao encerrar um ano de atividade laboral, planejar, reorganizar a vida pessoal para o ano seguinte, especialmente quem é mulher, quem é mãe de criança pequena, visando conciliar a jornada profissional com “as jornadas da vida pessoal”. Isso é importante para se estar bem fisicamente e emocionalmente na retomada do trabalho, pois se lida com pessoas, e no meu caso, com crianças em formação de personalidade (matutino) e adultos (noturno). A atividade docente é comprovadamente muito desgastante, visto que não se limita à interação pedagógica professor-aluno na sala de aula, mas tem desdobramentos diversos que acompanham o profissional da escola para casa e vice-versa. Estou certa de que isto que agora destaco não é novidade. Todos são conhecedores dos “ossos do ofício” docente, aponto esses elementos com a intenção de chamar a atenção dos Gestores Públicos lembrando que toda diretriz que interfere diretamente no cotidiano da escola e na vida do profissional da educação precisa ser apresentada com responsabilidade, compromisso e principalmente participação efetiva de todas as partes interessadas. Isto é para mim, a tradução, a “encarnação” do legítimo e árduo exercício democrático e do respeito ao profissional e a toda comunidade escolar.
Organizei a minha vida pessoal para trabalhar no ano 2010 na EMEI Áurea Melo Zamor, no turno matutino. Ao retornar a escola sou impedida de exercer o meu trabalho, pois não existem alunos, existe somente a sala de aula vazia (nos dois turnos – manhã e tarde) Como os senhores pensam que estou me sentindo? Cadê a tão cantada “valorização profissional do magistério”? Solicito que cada um dos senhores de dispa da força/poder dos cargos que ora ocupam e ponham-se no meu lugar de professora. Permitam-me deixar a “modesta” de lado e apresentar-me: sou também professora concursada na Rede Oficial de Ensino de Sergipe há quase 22 anos, sou servidora pública e sempre tive a consciência de que devo estar a serviço da sociedade, fazendo o meu trabalho com responsabilidade e compromisso, aonde for necessário. Fui até o Timor Leste, país asiático arrasado por uma ocupação militar sangrenta que durou quase duas décadas e meia, levar a minha contribuição à reconstrução do Sistema Educacional daquele país, como professora formadora de professores, integrando por seleção pública realizada pela CAPES/MEC, a primeira Missão de Cooperação Técnica Internacional do Governo Brasileiro na área da Educação. Nunca escolhi escola para trabalhar. Trabalho em escola central, em escola de periferia, em qualquer bairro da cidade. Já trabalhei vários anos em escola situada na periferia de Aracaju, e gostei, criei identidade com as famílias dos meus alunos. Autorizo qualquer interessado a buscar informações sobre o meu desempenho profissional em escolas que já trabalhei (no interior e na capital) e nas quais trabalho hoje.
Sou filha de um trabalhador nordestino que não teve o direito de sentar em um banco escolar, e de uma trabalhadora que esteve na escola somente por 02 anos, e que sonhava formar-se professora, mas sendo filha de trabalhador rural, que plantava roça de subsistência em terras alheias emprestadas (dos latifundiários), a minha mãe jamais realizaria o seu sonho. Tornar-me professora concursada da Rede Estadual, aos 19 anos foi uma conquista de significação imensurável, não apenas para mim, mas especialmente para minha mãe. Fui à primeira da minha família a conquistar um diploma de escolaridade superior, e na Universidade Pública. Sou cumpridora dos meus deveres profissionais, mas sou também inquieta e “desobediente”. Autoritarismo na relação de trabalho é algo que me afeta profundamente e algo que tenho muita dificuldade em “aceitar” conformadamente. Tenho a preocupação de não deixar esse texto “piegas”, mas diante da mecanização/deterioração, diante da indiferença, e às vezes até de certa agressividade (na forma de documentos que chegam à escola) estabelecida nas relações de trabalho, entre Gestores Públicos e Profissionais da Educação, senti necessidade de abordar sonhos e sentimentos, elementos próprios da natureza humana e que, portanto precisam ser lembrados e considerados na hora da tomada de decisões pelo “poder central” e no encaminhamento dessas para a escola. Esse tipo de relação nada tem acrescentado ao trabalho realizado na escola, muito pelo contrário, vem prejudicando o bom andamento do mesmo, criando um clima de animosidade e descrédito que distancia ainda mais, os gestores de quem está na ponta do Sistema, comprometendo os resultados que se espera alcançar.
A minha concepção de mundo me diz que para além de toda “modernidade” tecnológica colocada à disposição das pessoas, de toda parafernália de equipamentos, que em certo contexto mais afasta do que aproxima seres humanos, pois artificializa o contato e as relações sociais – que o ser humano busca e necessita da conversa com o outro, precisa falar do que sente, precisa ouvir o que é importante, precisa olhar no olho do outro e enfrentar conflitos a partir do diálogo respeitoso, corajoso e ético. É necessário fazer a crítica, mas é também necessário e importante reconhecer as experiências do outro, reconhecer e valorizar o trabalho profissional. Na condição de professora sinto a necessidade de ser a autora do meu fazer pedagógico, de construir e reconstruir a minha prática e de ter a qualidade do meu trabalho avaliada com respeito e seriedade. Acredito que assim contribuo para alargar e fortalecer relações humanizadas e conseqüentemente ajudar a fazer o mundo um pouco melhor para todos nós. Essa é a crença que fundamenta a minha prática pedagógica na escola, a minha relação com as colegas, com os meus alunos e no dia a dia da minha vida.
Solicito apoio concreto da SEMED para “resgatar” as crianças, cujas mães foram impedidas de efetuar matrícula na EMEI Áurea Zamor pela demora com que a diretriz (abrir matrícula para 06 anos) chegou à escola. Sei que são muitas atividades para o setor responsável, a Rede é complexa, mas a falta do encaminhamento em tempo hábil por parte da SEMED causou prejuízos a mim, na condição de professora, as crianças que não puderam continuar na escola na qual já estudavam, e também ao próprio Sistema Municipal de Ensino, que “perdeu” alunos na sua matrícula/2010. Não posso ser “penalizada” por esse fato, sendo obrigada a buscar outra escola para exercer o meu direito de trabalhar e após o encerramento do período regulamentado pela própria Secretaria de Educação para a transferência dentro da Rede Municipal.
Não há justificativa para o “atraso” visto que a SEMED conta com uma equipe de assessores com excelente nível de formação acadêmica e vasta experiência profissional no campo da educação, inclusive na Rede Municipal de Aracaju.
Apelo aos senhores que garantam o meu “Direito de Ensinar” na EMEI Áurea Melo Zamor, ajudando a recuperar a matrícula que foi “perdida”, colocando as crianças de volta na sala de aula, que por ora, encontra-se vazia.
Enquanto salas de aula estão vazias, as crianças podem estar por aí, em casa de vizinhos para que as mães possam trabalhar, nos semáforos, na porta de mercadinho do bairro, ou seja, expostas a todo tipo de risco físico, moral e emocional, quando deveriam estar na sala de aula, desenvolvendo o seu potencial intelectual, aprendendo a formar bons valores, aprendendo regras sociais, tendo convivência coletiva escolar, através de diversas atividades e exercícios lúdicos de aprendizagem, para se formarem sujeitos emancipados.
Quero somente continuar exercendo a minha atividade docente na mesma escola. Para tanto, preciso dos meus alunos de volta. É mister contar com o apoio dos senhores para concretizar tal tarefa. Fosse minha vontade sair da EMEI Áurea Zamor, teria encaminhado requerimento a SEMED no período regularmente estabelecido para transferência dentro da Rede, que já foi expirado em janeiro passado.
Esperando contar com a compreensão e apoio efetivo dos senhores, despeço-me, apresentado votos de respeito e sempre a disposição para o que se faça necessário.
A educação no Brasil, é um problema social de inacreditável gravidade(...) A sua falta prejudica da mesma forma que a fome e a miséria, ou até mais, pois priva os famintos e miseráveis dos meios que possibilitam a tomar consciência da sua condição, dos meios de aprender a resistir a essa situação. FLORESTAN FERNANDES.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
PROPOSTA DE TEMAS PARA SEREM INCORPORADOS, COMO CONTEÚDOS DE ESTUDO, A PROGRAMAÇÃO DESENVOLVIDA PELA SEMED NA HORA DE ESTUDO.
Aracaju-SE, 19 de maio de 2010.
ÁREA: EDUCAÇÃO INFANTIL ANO: 2010
Ilustríssima Secretária,
Na condição de professoras do Sistema Municipal de Educação de Aracaju, atuando como docentes na Educação Infantil vimos solicitar a Vossa Senhoria encaminhamentos no sentido de promover a realização de momentos e formas diversas (seminário, curso intensivo, palestra, aulas práticas/oficinas etc.) de estudo das temáticas pontuadas abaixo, considerando que estas vêm se revelando na prática escolar cotidiana como uma necessidade para ampliarmos a qualidade das atividades pedagógicas essenciais (ensino e aprendizagem).
Ressalta-se ainda que novos conteúdos para estudo, surgidos da e na prática escolar, podem mobilizar e potencializar maior participação dos docentes da educação infantil no espaço institucional da Hora de Estudo e, assim, contribuir mais efetivamente para a melhoria do desenvolvimento intelectual e da aprendizagem das crianças que freqüentam a Escola Municipal de Educação Infantil. Mesmo temáticas que já foram ofertadas pela SEMED, na Hora de Estudo, podem ser recolocadas/retomadas, pois há a possibilidade de novas abordagens e debates, que contribuem para a aprendizagem do coletivo de professoras e professores.
RELAÇÃO DOS TEMAS
1. Curso de Primeiros Socorros a crianças.
Justificativa: durante toda semana passamos diariamente mais de 04 horas dentro das escolas exercendo o papel docente e como responsáveis diretas por todas as crianças que formam a nossa turma e sabe-se que criança pequena é mais suscetível a sofrer “acidentes”: quedas, engasgo, ferir-se com objetos; vômitos repentinos, febre, sangramento (nasal ou oral); picada de inseto e etc. Como agir no momento imediato da ocorrência, até que se chegue à presença de médicos? Precisamos nos apropriar de informações, conhecimento e algumas técnicas básicas para prestar o socorro corretamente.
2. Fazer a identificação e caracterização, na sala de aula, da criança com necessidade especial.
Justificativa: Em tempo de Inclusão escolar institucional defendida como direito da criança e da sua família, precisamos acessar conhecimentos teóricos na área das necessidades especiais, bem como ter a condição estrutural e apoio técnico para trabalhar pedagogicamente com a criança que se encontrar nesta situação. Como identificar esta criança e o que fazer para ajudá-la?
Observação: essa temática surgiu nas discussões ocorridas na Hora de Estudo do dia 28/04/2010, a partir do relato de uma professora que atualmente enfrenta uma situação muito complexa com uma criança, com necessidade especial, que integra a sua turma. A Coordenadora da Educação Infantil / SEMED, assumiu o compromisso de encaminhar a questão.
3. Literatura Infantil e Contação de História.
Justificativa: não se trata de apenas se ter acesso a um acervo bibliográfico mínimo, mas sobretudo de estudarmos concepções e conhecermos experiências que potencializem a Literatura Infantil enquanto um instrumento pedagógico que pode “recuperar”: a fantasia, a magia, o imaginário criativo da primeira infância, as grandes descobertas e aprendizagens, que contribuem para formar homens e mulheres emancipados intelectualmente, com iniciativa de intervir na sociedade para torná-la humanizada. Isso tudo se dará no processo de construção e formação de novos valores: respeito a todas as formas de vida, a todas as culturas, a todos os povos e a mãe natureza.
A Contação de História, é um componente integrante essencial da Literatura e sabe-se que é muito mais do que abrir um livro e “ler a história”, é preciso nos apropriarmos de técnicas e metodologias que enriqueçam a nossa prática pedagógica e que nos inspirem a criar e recriar novas práticas a partir dos “efeitos” que observarmos nos nossos alunos e alunas.
4. Recreação e Atividade Física.
Justificativa: frequentemente vemos matéria na mídia televisiva abordando novos problemas de saúde em crianças, como: alteração na pressão arterial, alteração nas taxas de colesterol, obesidade e outros. Em muitos casos, os especialistas atribuem o surgimento dos problemas ao sedentarismo, além da alimentação inadequada. Sabe-se que as crianças que temos na escola pública não tem, pela própria condição de vida, muitas oportunidades de fazer atividade física brincando, como: jogar bola, andar de bicicleta, correr de pega pega na rua. Muitas moram em “Vilas” com espaços bastante limitados, não tem bicicleta ou mesmo bola, e se tem, não dispõem de espaço apropriado para usá-los. Nesse sentido, e como o próprio material didático “Aprende Brasil” já prevê essas atividades, precisamos estudar técnicas e metodologias com profissionais da área, para realizarmos na escola, atividades alegres, participativas, que favoreçam a interação entre as crianças e que também sejam seguras para a saúde delas. Faz-se necessário instituir essas atividades enquanto rotina diária ou semanal na escola de educação infantil.
5. Expressão da Oralidade
Justificativa: talvez esse estudo deva ser realizado com especialista da área de fonodiaulogia. A questão aqui é: como a escola pode ajudar crianças de 04, 05 e 06 anos que não conseguem expressar oralmente palavras simples, usadas cotidianamente, como por exemplo: “banheiro” (a criança fala: balêlo). Isso não é caso isolado, é muito comum nas turmas de educação infantil e muitas vezes, acaba por prejudicar o desenvolvimento da linguagem oral, e mais adiante, a apropriação da língua escrita por parte da criança. Como a professora deve agir, ao deparar-se com situação como esta na sala de aula?
6. Educação Ambiental na Educação Infantil
Justificativa: Estamos no momento histórico no qual eclode a todo instante e de modo impactante a problemática do meio ambiente e da nossa ameaçada “qualidade de vida”. A escola de educação infantil é um lugar potencialmente adequado a se trabalhar as questões ambientais, porque lá, os seus atores protagonistas – as crianças – estão “sedentas” de curiosidades, querem descobrir e aprender coisas novas todo dia, Elas possuem uma capacidade infinita de aprendizagem, basta que a situação e as condições sejam estabelecidas para isto. Daí precisarmos estudar projetos já realizados ou em andamento, visitarmos órgãos de pesquisa no nosso Estado, conhecermos experiências exitosas, inclusive na própria escola municipal de Aracaju. Precisamos ainda ter acesso a vasto acervo teórico para levantarmos subsídios que fundamentem projetos específicos para as escolas de educação infantil.
7. Música, Dança e outras Artes.
Justificativa:
Os elementos acima citados são essenciais em qualquer ação de formação humana, sobretudo com crianças pequenas, que por natureza se sentem atraídas por sons, ritmos, formas e cores.
Podemos aprender algumas técnicas, alguns passos, alguns ritmos para praticarmos com nossos alunos, dentro de um planejamento de atividades que certamente contribuirão significativamente no processo de aprendizagem e desenvolvimento intelectual.
Esperando contar com o efetivo apoio de Vossa Senhoria, bem como da Coordenação de Educação Infantil, despedimo-nos, apresentando votos de respeito.
Atenciosamente,
Professoras do Sistema Municipal de Aracaju, docentes na Educação Infantil do Sistema Municipal de Educação de Aracaju.
OBS: este documento será posteriormente protocolado contendo assinaturas de professoras que concordam com esta proposta.
Aracaju-SE, 19 de maio de 2010.
ÁREA: EDUCAÇÃO INFANTIL ANO: 2010
Ilustríssima Secretária,
Na condição de professoras do Sistema Municipal de Educação de Aracaju, atuando como docentes na Educação Infantil vimos solicitar a Vossa Senhoria encaminhamentos no sentido de promover a realização de momentos e formas diversas (seminário, curso intensivo, palestra, aulas práticas/oficinas etc.) de estudo das temáticas pontuadas abaixo, considerando que estas vêm se revelando na prática escolar cotidiana como uma necessidade para ampliarmos a qualidade das atividades pedagógicas essenciais (ensino e aprendizagem).
Ressalta-se ainda que novos conteúdos para estudo, surgidos da e na prática escolar, podem mobilizar e potencializar maior participação dos docentes da educação infantil no espaço institucional da Hora de Estudo e, assim, contribuir mais efetivamente para a melhoria do desenvolvimento intelectual e da aprendizagem das crianças que freqüentam a Escola Municipal de Educação Infantil. Mesmo temáticas que já foram ofertadas pela SEMED, na Hora de Estudo, podem ser recolocadas/retomadas, pois há a possibilidade de novas abordagens e debates, que contribuem para a aprendizagem do coletivo de professoras e professores.
RELAÇÃO DOS TEMAS
1. Curso de Primeiros Socorros a crianças.
Justificativa: durante toda semana passamos diariamente mais de 04 horas dentro das escolas exercendo o papel docente e como responsáveis diretas por todas as crianças que formam a nossa turma e sabe-se que criança pequena é mais suscetível a sofrer “acidentes”: quedas, engasgo, ferir-se com objetos; vômitos repentinos, febre, sangramento (nasal ou oral); picada de inseto e etc. Como agir no momento imediato da ocorrência, até que se chegue à presença de médicos? Precisamos nos apropriar de informações, conhecimento e algumas técnicas básicas para prestar o socorro corretamente.
2. Fazer a identificação e caracterização, na sala de aula, da criança com necessidade especial.
Justificativa: Em tempo de Inclusão escolar institucional defendida como direito da criança e da sua família, precisamos acessar conhecimentos teóricos na área das necessidades especiais, bem como ter a condição estrutural e apoio técnico para trabalhar pedagogicamente com a criança que se encontrar nesta situação. Como identificar esta criança e o que fazer para ajudá-la?
Observação: essa temática surgiu nas discussões ocorridas na Hora de Estudo do dia 28/04/2010, a partir do relato de uma professora que atualmente enfrenta uma situação muito complexa com uma criança, com necessidade especial, que integra a sua turma. A Coordenadora da Educação Infantil / SEMED, assumiu o compromisso de encaminhar a questão.
3. Literatura Infantil e Contação de História.
Justificativa: não se trata de apenas se ter acesso a um acervo bibliográfico mínimo, mas sobretudo de estudarmos concepções e conhecermos experiências que potencializem a Literatura Infantil enquanto um instrumento pedagógico que pode “recuperar”: a fantasia, a magia, o imaginário criativo da primeira infância, as grandes descobertas e aprendizagens, que contribuem para formar homens e mulheres emancipados intelectualmente, com iniciativa de intervir na sociedade para torná-la humanizada. Isso tudo se dará no processo de construção e formação de novos valores: respeito a todas as formas de vida, a todas as culturas, a todos os povos e a mãe natureza.
A Contação de História, é um componente integrante essencial da Literatura e sabe-se que é muito mais do que abrir um livro e “ler a história”, é preciso nos apropriarmos de técnicas e metodologias que enriqueçam a nossa prática pedagógica e que nos inspirem a criar e recriar novas práticas a partir dos “efeitos” que observarmos nos nossos alunos e alunas.
4. Recreação e Atividade Física.
Justificativa: frequentemente vemos matéria na mídia televisiva abordando novos problemas de saúde em crianças, como: alteração na pressão arterial, alteração nas taxas de colesterol, obesidade e outros. Em muitos casos, os especialistas atribuem o surgimento dos problemas ao sedentarismo, além da alimentação inadequada. Sabe-se que as crianças que temos na escola pública não tem, pela própria condição de vida, muitas oportunidades de fazer atividade física brincando, como: jogar bola, andar de bicicleta, correr de pega pega na rua. Muitas moram em “Vilas” com espaços bastante limitados, não tem bicicleta ou mesmo bola, e se tem, não dispõem de espaço apropriado para usá-los. Nesse sentido, e como o próprio material didático “Aprende Brasil” já prevê essas atividades, precisamos estudar técnicas e metodologias com profissionais da área, para realizarmos na escola, atividades alegres, participativas, que favoreçam a interação entre as crianças e que também sejam seguras para a saúde delas. Faz-se necessário instituir essas atividades enquanto rotina diária ou semanal na escola de educação infantil.
5. Expressão da Oralidade
Justificativa: talvez esse estudo deva ser realizado com especialista da área de fonodiaulogia. A questão aqui é: como a escola pode ajudar crianças de 04, 05 e 06 anos que não conseguem expressar oralmente palavras simples, usadas cotidianamente, como por exemplo: “banheiro” (a criança fala: balêlo). Isso não é caso isolado, é muito comum nas turmas de educação infantil e muitas vezes, acaba por prejudicar o desenvolvimento da linguagem oral, e mais adiante, a apropriação da língua escrita por parte da criança. Como a professora deve agir, ao deparar-se com situação como esta na sala de aula?
6. Educação Ambiental na Educação Infantil
Justificativa: Estamos no momento histórico no qual eclode a todo instante e de modo impactante a problemática do meio ambiente e da nossa ameaçada “qualidade de vida”. A escola de educação infantil é um lugar potencialmente adequado a se trabalhar as questões ambientais, porque lá, os seus atores protagonistas – as crianças – estão “sedentas” de curiosidades, querem descobrir e aprender coisas novas todo dia, Elas possuem uma capacidade infinita de aprendizagem, basta que a situação e as condições sejam estabelecidas para isto. Daí precisarmos estudar projetos já realizados ou em andamento, visitarmos órgãos de pesquisa no nosso Estado, conhecermos experiências exitosas, inclusive na própria escola municipal de Aracaju. Precisamos ainda ter acesso a vasto acervo teórico para levantarmos subsídios que fundamentem projetos específicos para as escolas de educação infantil.
7. Música, Dança e outras Artes.
Justificativa:
Os elementos acima citados são essenciais em qualquer ação de formação humana, sobretudo com crianças pequenas, que por natureza se sentem atraídas por sons, ritmos, formas e cores.
Podemos aprender algumas técnicas, alguns passos, alguns ritmos para praticarmos com nossos alunos, dentro de um planejamento de atividades que certamente contribuirão significativamente no processo de aprendizagem e desenvolvimento intelectual.
Esperando contar com o efetivo apoio de Vossa Senhoria, bem como da Coordenação de Educação Infantil, despedimo-nos, apresentando votos de respeito.
Atenciosamente,
Professoras do Sistema Municipal de Aracaju, docentes na Educação Infantil do Sistema Municipal de Educação de Aracaju.
OBS: este documento será posteriormente protocolado contendo assinaturas de professoras que concordam com esta proposta.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Memória da Escola
"A influência do professor não termina com o ano letivo ou com o final de um curso, seja boa ou ruim, poderá marcar para sempre a vida do aluno"
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